Agentes de IA
LangGraph, CrewAI, Agent Framework ou n8n?
Quatro caminhos para construir agentes, com critérios de escolha que dependem menos da tecnologia e mais de quem vai manter.
A resposta curta
Escolha LangGraph quando precisar controlar exatamente como o agente transita entre etapas e repete tentativas. Escolha CrewAI quando estiver modelando um time de agentes especialistas com papéis claros e quiser que essa estrutura continue legível. Escolha o Microsoft Agent Framework quando a organização já vive na pilha Microsoft e Azure e precisa de um SDK único e suportado entre Python, C# e Java. Escolha n8n quando quem constrói e mantém o fluxo não é primariamente engenheiro de software, ou quando o agente precisa conviver com centenas de integrações de negócio que você já opera.
Eles não são excludentes. Um padrão comum em produção é o n8n orquestrar o gatilho de negócio — um webhook, um formulário, um agendamento — e chamar um serviço em LangGraph ou CrewAI para a parte que realmente exige raciocínio em várias etapas.
Para que serve cada um
LangGraph — máquina de estados para agentes
Modela o agente como um grafo explícito: nós são etapas, arestas são transições e o estado é um objeto tipado que circula entre elas. Isso dá duas coisas que laços de controle implícitos não dão: pausar, inspecionar e retomar a execução em qualquer nó, e garantir que certas transições nunca aconteçam. Quem adota costuma ter batido no limite da abordagem mais simples de chamar o modelo em laço.
CrewAI — times multiagente por papel
A abstração central é a equipe: um conjunto de agentes, cada um com papel, objetivo e contexto, trabalhando por uma sequência de tarefas. A leitura se aproxima mais de um organograma que de uma máquina de estados, o que facilita entregar a configuração a alguém que não está imerso no código — o arquivo genuinamente descreve o que o sistema faz.
Microsoft Agent Framework — o sucessor do AutoGen
É para onde vai quem construiu sobre o AutoGen. A proposta é consistência: os mesmos conceitos de orquestração entre os SDKs de Python, C# e Java, integrados ao restante da pilha corporativa da Microsoft. É o padrão pragmático quando compras, revisão de segurança e suporte de longo prazo já apontam para lá.
n8n — a camada que conversa com todos
O n8n não tenta ser um framework de raciocínio. Ele tenta ser a camada de fluxo que dispara, sequencia e conecta o resto — inclusive chamadas a serviços em LangGraph ou CrewAI. A vantagem é a largura: centenas de integrações prontas que, numa pilha só de código, seriam trabalho sob medida. Quando a lógica do agente é simples — classificar, resumir, encaminhar — mas o processo em volta toca uma dúzia de sistemas, costuma ser o caminho mais rápido até produção.
Como decidir de verdade
Pergunte quem mantém isso depois que você entregar.
Se for alguém de operações, e não um engenheiro, o fluxo visual vence mesmo sendo menos flexível. Se for um time de engenharia que precisa de controle fino sobre estado e repetição, LangGraph justifica a complexidade. Se o modelo mental é "um time de especialistas com funções diferentes", CrewAI mantém essa estrutura honesta conforme o sistema cresce. Se a organização já tem relação de compras, segurança e suporte com a Microsoft, o Agent Framework remove uma categoria de atrito de aprovação que os outros não removem.
A leitura da Tyna
O critério proposto — quem mantém depois — é o certo, e vale radicalizá-lo: essa é praticamente a única pergunta que importa.
A escolha de framework quase nunca fracassa por limitação técnica. Fracassa porque a pessoa que construiu saiu, mudou de time ou foi alocada em outra prioridade, e quem ficou não consegue mexer. Um sistema em LangGraph impecável mantido por uma equipe de operações é um sistema congelado: ninguém altera, porque ninguém entende, e ele vai apodrecendo até alguém decidir refazer.
Para a realidade da empresa brasileira média, isso tem uma implicação desconfortável. Times de engenharia dedicados a manter agente são raros. O que existe é um time de produto que também cuida de automação, ou uma pessoa de operações que aprendeu a plataforma. Nesse cenário, escolher a ferramenta mais poderosa é escolher a que vai parar de evoluir primeiro.
Vale acrescentar uma pergunta ao critério: quando esse framework for descontinuado, quanto do meu sistema vai junto? Não é hipótese remota — o AutoGen acabou de mostrar como isso acontece com um projeto grande e bem financiado. O padrão híbrido citado no início é a melhor defesa contra isso: manter a lógica de negócio no fluxo, que muda devagar, e isolar o raciocínio em um serviço substituível. Assim a troca de framework atinge uma peça, não o sistema.
Perguntas frequentes
P: Ainda vale aprender AutoGen?
R: Só se você mantém um sistema existente. O desenvolvimento novo migrou para o sucessor, e o AutoGen está em modo de manutenção.
P: Dá para usar n8n e LangGraph juntos?
R: Sim, é padrão comum. O n8n cuida de gatilho, integrações e o processo em volta; um serviço em LangGraph cuida da parte que exige raciocínio com estado, chamado por um nó HTTP.
P: Qual é mais fácil de manter para quem não é engenheiro?
R: n8n, com folga — o editor visual foi feito para isso. A configuração por papéis do CrewAI é a segunda mais legível sem base sólida de programação.
Versão em inglês: Automations Cookbook